A minha filha vai para a primária e é já em setembro! Vai mudar de escola e passar a ser uma aluna do primeiro ano. Apesar de já estar a contar com esta primeira grande mudança na vida da minha princesinha – sim, é piroso falar assim, mas é mesmo assim que eu a vejo – há mais de um ano, confesso que só há pouco mais de uma semana é que comecei a pensar no assunto a sério.

Será que há alguma forma de mandar uma criança para a escola sem parecer que estamos a deixar um sherpa carregado com toda a logística de uma expedição aos Himalaias à porta de um colégio?

Mas vamos passar à frente as preocupações emocionais de um pai. Não vou falar da angústia que sinto cada vez que tenho que fazer a conversa do “vais passar a ter mais responsabilidades” e vejo a apreensão estampada naquela cara de quem tenta ser forte do alto dos seus seis aninhos. Não quero perder tempo a discorrer sobre como a pequenita vai sofrer com esta mudança (tenho uma certa tendência para dramatizar). E também não acho deva enfatizar muito o drama da mudança de hábitos a que toda a família vai ter de se sujeitar lá por casa, com horas para refeições e para ir para a cama.

Neste momento, como forma de fugir a estes dramas psicológicos, a minha grande inquietação prende-se com a logística da “operação mudança de escola + entrada na primária” que do ponto de vista comercial está catalogado como regresso às aulas. Neste caso, vai ser o meu primeiro regresso às aulas.

Sabemos em que dia começam as aulas e que há um lugar com o nome da minha filha na turma do primeiro ano, mas tudo o que vá além disto ainda é um grande ponto de interrogação.

Ao longo dos últimos meses, fui adiando toda a preparação que é necessária para o primeiro dia – ainda apara mais numa escola nova. Sempre que o tema surgia, desvalorizava e descansava-me mentalmente: “Ainda falta imenso tempo, ainda faltam 4 meses, é só daqui a 3 meses, tenho dois meses para pensar nisso, ainda…”. O problema é que o “ainda” se transformou em “só” muito mais depressa do que pensei e agora falta só um mês! 30 dias! E ainda não tenho nada preparado!

Quer dizer, já fizemos as inscrições na escola e sabemos as datas do calendário letivo. Sabemos em que dia começam as aulas e que há um lugar com o nome da minha filha na turma do primeiro ano, mas tudo o que vá além disto ainda é um grande ponto de interrogação.

Esqueçam lá aquela velha técnica que a minha mãe – e tantas outras mães – usavam: compra-se tudo em preto e o mais genérico possível. Depois um rolo de autocolante transparente e a imaginação que tratassem do resto.

Que mochila? Aliás, quantas mochilas é que são precisas? Portanto, uma para a escola, outra para o ballet, uma para a natação… Será que há alguma forma de mandar uma criança para a escola sem parecer que estamos a deixar um sherpa carregado com toda a logística de uma expedição aos Himalaias à porta de um colégio? E depois ainda há os cadernos. E os dossiês. E os estojos. Todos de uma princesa diferente, claro. Porque agora já vem tudo feito.

Esqueçam lá aquela velha técnica que a minha mãe – e tantas outras mães – usavam: compra-se tudo em preto e o mais genérico possível. Depois um rolo de autocolante transparente e a imaginação que tratassem do resto. Hoje não há cá disto. E ainda bem. Quem me dera ter tido um caderno do He-man e um dossiê dos Flintstones que já viesse decorado de fábrica.

Portanto, neste “só um mês”, há muito para fazer. Provavelmente vou tentar fugir com o rabo à seringa e tentar empurrar as compras para uma tarde de mãe e avós. Mas quer-me parecer que não vou safar-me a umas horas valentes a decidir entre a mochila da Cinderella e o saco da Sininho; entre o estojo da Minnie ou o caderno da Doutora Brinquedos. Pois bem, que assim seja, só para poder estar presente neste momento tão importante da vida da minha princesinha.

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